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“Convertei-vos e crede no Evangelho!” 	(Mc 1, 15)


 
O convite lançado por Nosso Senhor na Quarta-feira de Cinzas deve ressoar em nossos corações durante toda a Quaresma. É como São Marcos apresenta a pregação de Cristo em seu Evangelho. 
Por questões didáticas, podemos dividir o anúncio em duas partes: a primeira pede o arrependimento, e a segunda chama a uma adesão à Fé. Na primeira parte, buscando no grego “μετανοεῖτε”, ou no latim “paenitemini”, temos dois vocábulos que aludem à penitência, de tal modo que não podemos desassociar o ato interior do arrependimento ao ato exterior da renúncia penitencial. Sendo assim, durante o período da Quaresma, a Santa Igreja, Mãe e Mestra, aconselha-nos as práticas do jejum, esmola e oração, que exprimem a conversão em relação a si mesmo, aos outros, e a Deus, respectivamente (CIC, 1434). 
“A Quaresma foi instituída a fim de imitarmos, de algum modo, o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo observou no deserto, e a fim de nos prepararmos, por meio da penitência, para celebrar santamente a festa da Páscoa.” (Catecismo de São Pio X, 499)
Adverte-nos Santo Antônio de Pádua, franciscano Doutor da Igreja, em seu sermão para a Quarta-feira de Cinzas: “Faz jejum para os homens quem busca os aplausos deles. Faz jejum para Deus quem sofre por seu amor e partilha com os outros aquilo que tira de si mesmo.” Observe a presença da necessidade do sofrimento nas palavras do Santo Doutor, e, ainda, o acréscimo da partilha. Diz São Lourenço: “As mãos dos pobres é que colocaram nos tesouros celestes as riquezas da Igreja!”
São Pedro Crisólogo ensinou que o jejum é inseparável da misericórdia, bem como da oração, de forma que praticar a um ato e excluir qualquer que seja dos demais faz com que o esforço seja nulo. Compilemos, então, nossas práticas, para que nossa sede por Deus, manifestada através da oração, seja trabalhada na aridez do jejum, e regada pela misericórdia da esmola. Quanto mais afastadas dos louvores humanos forem nossas práticas, mais vistosas serão aos olhos do Pai, ao qual nada fica escondido, para que o Senhor Deus, a quem pertencem os bens espirituais, verdadeiro interesse de um coração reto, recompense-nos segundo sua Santa e Benevolente Vontade (Mt 6, 18-20). Dizia Santo Antônio: ”vende por um preço muito barato algo de grande valor, aquele que faz o bem só para ser louvado pelos homens.” 
Durante o período Quaresmal, convém, especialmente, que se reze ao Senhor a fim de receber d’Ele a coragem necessária para se desprender das atenções humanas, fixando-nos ao Olhar do Redentor, para que guardemos aquilo que nos é mais precioso debaixo de Sua vista. O Evangelho nos exorta a não guardarmos apenas para nós aquilo que temos de muito valioso: “Não acumuleis para vós tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões assaltam e roubam. Onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.”(Mt 6, 19.21) Onde temos acumulado aquilo que temos de mais precioso? Nossos bens, temporais ou espirituais, devem ficar depositados em terra frutífera. Confiemos, então, tudo o que temos de mais precioso às mãos hábeis de Cristo, e Ele saberá trabalhar com esmero. 
“Aquilo que fizestes a um destes mais pequeninos, o fizestes a mim!”(Mt 25,40) Se assim nos ensina Jesus, devemos ter pressa em socorrê-lo nos necessitados, tanto os que são pobres de tesouros do tempo presente, quanto os famintos pelos tesouros da eternidade: “aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados.” (Tg 5, 20) “Queridos amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco.” (Bento XVI)
É fácil que eu me engane, em minha arrogância e vaidade, e pense que faço, por minha iniciativa e força, algum bem por amor a Deus, quando na verdade, todo o bem que porventura aconteça aos outros através de mim, é proveniente da infinita Misericórdia do Pai, que me concede a honra de se utilizar de minha pequenez para realizar bons atos - quaisquer que sejam. Também tão humilde é o Senhor que faz pensar àqueles que me rodeiam que eu tenha, em meio a tanta imundície, algo de generoso. Não se pode considerar bom um ramo, sem que seja boa sua Videira. O ramo nada pode fazer sem a Videira a qual está preso. (Jo 15, 5) “Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo ad gloriam.” (Sl 113, 9)
Peçamos ao Pai Celeste a graça de vivermos uma santa Quaresma, moldados pelo Senhor em tempos de sacrifícios. Não sejamos como nossos pais, que endureceram os corações no deserto após a fuga do Egito, mas, ao contrário, de coração grato, evitemos todo tipo de incompreensão perante a ação de Deus, de forma que, seguindo o exemplo de Cristo, vençamos as tentações. Assim, bem preparados, tenhamos na Páscoa a verdadeira passagem: da vida velha para a vida nova. ”Eis que eu renovo todas as coisas.” (Ap 21, 5) Jesus, o Amado de nossas almas, nos espera na plena Terra Prometida: o Reino dos Céus.
 
 
 

As práticas da Quaresma




Fonte: Casamonscatao
Data: 18/03/2015

  1. Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1, 15)

 

O convite lançado por Nosso Senhor na Quarta-feira de Cinzas deve ressoar em nossos corações durante toda a Quaresma. É como São Marcos apresenta a pregação de Cristo em seu Evangelho.

Por questões didáticas, podemos dividir o anúncio em duas partes: a primeira pede o arrependimento, e a segunda chama a uma adesão à Fé. Na primeira parte, buscando no grego “μετανοετε”, ou no latim “paenitemini”, temos dois vocábulos que aludem à penitência, de tal modo que não podemos desassociar o ato interior do arrependimento ao ato exterior da renúncia penitencial. Sendo assim, durante o período da Quaresma, a Santa Igreja, Mãe e Mestra, aconselha-nos as práticas do jejum, esmola e oração, que exprimem a conversão em relação a si mesmo, aos outros, e a Deus, respectivamente (CIC, 1434).

A Quaresma foi instituída a fim de imitarmos, de algum modo, o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo observou no deserto, e a fim de nos prepararmos, por meio da penitência, para celebrar santamente a festa da Páscoa.” (Catecismo de São Pio X, 499)

Adverte-nos Santo Antônio de Pádua, franciscano Doutor da Igreja, em seu sermão para a Quarta-feira de Cinzas: “Faz jejum para os homens quem busca os aplausos deles. Faz jejum para Deus quem sofre por seu amor e partilha com os outros aquilo que tira de si mesmo.” Observe a presença da necessidade do sofrimento nas palavras do Santo Doutor, e, ainda, o acréscimo da partilha. Diz São Lourenço: “As mãos dos pobres é que colocaram nos tesouros celestes as riquezas da Igreja!”

São Pedro Crisólogo ensinou que o jejum é inseparável da misericórdia, bem como da oração, de forma que praticar a um ato e excluir qualquer que seja dos demais faz com que o esforço seja nulo. Compilemos, então, nossas práticas, para que nossa sede por Deus, manifestada através da oração, seja trabalhada na aridez do jejum, e regada pela misericórdia da esmola. Quanto mais afastadas dos louvores humanos forem nossas práticas, mais vistosas serão aos olhos do Pai, ao qual nada fica escondido, para que o Senhor Deus, a quem pertencem os bens espirituais, verdadeiro interesse de um coração reto, recompense-nos segundo sua Santa e Benevolente Vontade (Mt 6, 18-20). Dizia Santo Antônio: ”vende por um preço muito barato algo de grande valor, aquele que faz o bem só para ser louvado pelos homens.”

Durante o período Quaresmal, convém, especialmente, que se reze ao Senhor a fim de receber d’Ele a coragem necessária para se desprender das atenções humanas, fixando-nos ao Olhar do Redentor, para que guardemos aquilo que nos é mais precioso debaixo de Sua vista. O Evangelho nos exorta a não guardarmos apenas para nós aquilo que temos de muito valioso: “Não acumuleis para vós tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões assaltam e roubam. Onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.”(Mt 6, 19.21) Onde temos acumulado aquilo que temos de mais precioso? Nossos bens, temporais ou espirituais, devem ficar depositados em terra frutífera. Confiemos, então, tudo o que temos de mais precioso às mãos hábeis de Cristo, e Ele saberá trabalhar com esmero.

Aquilo que fizestes a um destes mais pequeninos, o fizestes a mim!”(Mt 25,40) Se assim nos ensina Jesus, devemos ter pressa em socorrê-lo nos necessitados, tanto os que são pobres de tesouros do tempo presente, quanto os famintos pelos tesouros da eternidade: “aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados.” (Tg 5, 20) “Queridos amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco.” (Bento XVI)

É fácil que eu me engane, em minha arrogância e vaidade, e pense que faço, por minha iniciativa e força, algum bem por amor a Deus, quando na verdade, todo o bem que porventura aconteça aos outros através de mim, é proveniente da infinita Misericórdia do Pai, que me concede a honra de se utilizar de minha pequenez para realizar bons atos - quaisquer que sejam. Também tão humilde é o Senhor que faz pensar àqueles que me rodeiam que eu tenha, em meio a tanta imundície, algo de generoso. Não se pode considerar bom um ramo, sem que seja boa sua Videira. O ramo nada pode fazer sem a Videira a qual está preso. (Jo 15, 5) “Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo ad gloriam.” (Sl 113, 9)

Peçamos ao Pai Celeste a graça de vivermos uma santa Quaresma, moldados pelo Senhor em tempos de sacrifícios. Não sejamos como nossos pais, que endureceram os corações no deserto após a fuga do Egito, mas, ao contrário, de coração grato, evitemos todo tipo de incompreensão perante a ação de Deus, de forma que, seguindo o exemplo de Cristo, vençamos as tentações. Assim, bem preparados, tenhamos na Páscoa a verdadeira passagem: da vida velha para a vida nova. ”Eis que eu renovo todas as coisas.” (Ap 21, 5) Jesus, o Amado de nossas almas, nos espera na plena Terra Prometida: o Reino dos Céus.

 

 

 

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